sábado, 22 de novembro de 2008

1º Pacto Global pela Cidadania da Infância

PLENÁRIO
20/11/2008 - 11h27
Sessão especial do Senado lança 1º Pacto Global pela Cidadania da Infância

O 2º vice-presidente do Senado, Alvaro Dias, abriu há pouco a sessão especial que promoverá o lançamento do 1º Pacto Global pela Cidadania da Infância. O objetivo do pacto é fazer com que brasileiros e organizações ligadas aos direitos humanos e à educação promovam o exercício da cidadania na infância para crianças de 6 a 13 anos de idade.

As senadoras Fátima Cleide (PT-RO) e Marisa Serrano (PSDB-MS) e os senadores Wellington Salgado (PMDB-MG), Flávio Arns (PT-PR), Valter Pereira (PMDB-MS), Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e Renato Casagrande (PSB-ES) propuseram a sessão especial.

A iniciativa dos parlamentares, segundo os princípios do pacto, indica o compromisso de promover meios para o exercício dos direitos da cidadania na infância, conforme determinam a Carta das Nações Unidas, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) e a própria Constituição brasileira.

Leia o pacto na íntegra, aqui.

Fomte: Agência Senado






http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=80823&codAplicativo=2

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Click da feira de POA IV


Do fundo, à esquerda, para a frente: Lenice Gomes, Ellen Pestili, Caio Riter, Marilia Pirillo, Gabriela Gibrail (FLIPinha), Sissi, Luís Dill, Hermes Bernardi, Peter O'Sagae (Dobras da leitura), Celso Sisto.
Do fundo, à direita, para a frente: Vitor Diel, Tati Moés, Rosana Rios, Anna Claudia, Elaine Maritza. E a equipe da revista on-line Dobras da leitura: Daniela Padilha, Renata Nakano e Luiz Sposito.

Socorro Acioli, Anna Claudia, Peter O'Sagae, Luiz Sposito e Hermes Bernardi Jr.

Ciranda para Elias José




Homenagem organizada por Graça Artioli e CRL, a ciranda ao som da música especialmente composta por Tino Freitas (Roedores de livros) emocionou a todos os presentes à Arena das histórias no dia 10/11

Histórias no céu da boca


Dia 09/11, na Arena das histórias, o bate-papo descontraído sobre processos de criação e curiosidades a respeito de peculiaridades de cada um sobre algns de seus títulos pubblicados foi com Caio Riter, Rosana Rios, Anna claudia Ramos e Celso Sisto. No dia 02 a entrevistada de Hermes Bernardi Jr, foi a escritora Helô Bacichette.

Click da feira de POA III


Escritor Caio Riter fala aos seus leitores no Autor no palco

O escritor e contador de histórias Ilan Brenman, curtindo o pôr-do-sol no Guaíba

Os escritores Rogério Andrade Barbosa e Celso Sisto junto da escritora Benita Prieto, na mesa do Seminário A Arte de contar histórias

O escritor Carlos Urbim, o escritor Luis Paulo Faccioli (Presidente AGES) e a escritora Christina Dias (núcleo infantil e juvenil AGES)

Bate-papo na Casa do Pensamento: Luiz Dario Bernal e Hermes bernardi Jr.

O escritor Rogério Andrade Barbosa em visita ao Espaço AEILIJ/Sala dos autores

Hermes e Sérgio Alves (Ed. Larousse)

Águeda (Ed. Salesiana), o escritor colombiano Luiz Dario Bernal, a escritora Georgina Martins e a amiga e devoradora de livros Ana Paula (Roedores de livros)

Gente bacana que dá o apoio necessário: Andréia, Mariana e Fabrício.

O escritor e ilustrador Celso Sisto e o escritor Hermes Bernardi Jr.

O escritor Luiz Dario Bernal, Mariana (produção da Feira de POA) e Hermes (Coord. AEILIJ-RS)

As escritoras, Lenice Gomes, Georgina Martins e Socorro Acioli.

Gabriela Gibrail fala sobre a FILPinha

Escritoras e escritores Jacira Fagundes, Maira Knopp, Marô Barbieri, Magda, Dilan Camargo e Tiago Melo Andrade.

Hermes e o escritor e designer gráfico Guto Lins.

domingo, 9 de novembro de 2008


O Estado de S.Paulo/Caderno 2 - 7/11/2008

Rosely, Goldfarb, votantes da Câmera Brasileira do Livro. Foi maravilhoso ser o vencedor neste ano de comemoração máxima do Jabuti. Foi maravilhoso vencer em literatura infantil que precisa tanto dos olhares de todos, ela é a base, ganhou visibilidade maior.

Ignácio Loyola Brandão
Vencedor do Livro do Ano - Ficção,
do Prêmio Jabuti.

Click da Feira de POA II


O escritor e ilustrador Celso Sisto fala aos organizadores de feiras de livros do RS

Ilustradora Laura Castilhos e Anna Claudia Ramos (presidente AEILIJ) durante o encontro da Confraria Reinações na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Marô Barbieri, Thiago de Melo, Rosana Rios, Caio Riter, Christian David e Luís Dill no lançamento do livro antes do ponto final, organizado por Caio Riter

Hermes, Anna Claudia, Gabriela (Coord. Flipinha), Lenice Gomes e Thiago de Melo Andrade confraternizando após um dia inteiro de trabalho prazeroso
Os escritores Cláudio Levintan, Beatriz Abuchaim e Hermes (AEILIJ-RS)

Elaine Maritza (Artes e Ofícios), Izabel (Confraria das letras em braile) e o escritor e compositor Cláudio Levitan

Escritora Léia Cassol conta histórias no QG dos pitocos

O escritor Thiago de Melo Andrade, Anna Claudia, Sônia Zanchetta (CRL), Ana Terra (de azul) ao lado de sua mãe, e Hermes

Os escritores Daila Costa e Luiz Antonio Aguiar no Espaço AEILIJ/Sala dos autores.

A escritora Luciana Savaget em visita ao Espaço AEILIJ

Hermes, Léia Cassol, Marilia Pirillo, Anna e Julio Emílio Braz entre uma atividade e outra na Área Infantil.

Luiz Antonio Aguiar fala para uma multidão de leitores curiosos no Teatro Sancho Pança, durante o Autor no Palco.

Débora (Aprende Brasil Sul), Hermes e Anna Claudia Ramos, na Deck da leitura, durante sessão de autógrafos de Anna.

Escritora e ilustradora Marilia Pirillo conta Papo de Papinho, de Gláucia de Souza e ilustrado por ela no QG dos Pitocos.

Hermes, Anna, Gabriela (Coord. Flipinha), a escritora Lenice Gomes e Tiagho de Melo Andrade confraternizam após um dia todo de trabalho.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Notícias da Feira

06.11.2008
Anna Cláudia Ramos conta como tudo começou


As crianças que estiveram no Teatro Sancho Pança, assistindo O Autor no Palco, conheceram um pouco mais da trajetória da escritora Anna Cláudia Ramos. Na ocasião, os pequenos também puderam fazer perguntas relacionadas às obras da autora.

A carioca Anna falou, para os pequenos amantes da leitura, que desde pequena gostava de brincar de faz de conta e que, esse, era o primeiro sinal de que seria escritora. “Tudo o que a vida não me dava, eu inventava”, relembra. A idéia de se tornar escritora foi intensificada, ainda criança, quando leu A Bolsa Amarela. Segundo ela, a personagem principal que se chamava Raquel queria escrever um livro, grande e menino. “Acho que pelo fato de ver meu irmão se divertindo, querer me tornar grande e amar redação fizeram com esses conceitos ficassem registrados na minha memória”, conta.

Depois, essa paixão pela escrita ficou adormecida, até que, na adolescência voltou com força total. Anna decidiu então cursar Letras na PUC do Rio de Janeiro. Neste tempo, decidiu que direcionaria suas obras para a literatura infantil e juvenil, porque considerava um desafio conseguir se comunicar com esse público.

Entre as obras de Anna destacam-se a coleção Todo mundo tem.... dividida em Casa, Medo, Família e Amigo voltado para crianças. Já sempre por perto é destinado aos adolescentes e centrado no tema da homossexualidade juvenil.


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06.11.2008
Ducha das Letras recebe Cristian Davi
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Autor de livros como “Mão Dupla” e “O Rei e o Camaleão”, Christian Davi conversou com estudantes na Ducha das Letras sobre suas obras e a importância da leitura. “Acostumem-se a ler aquilo que não estão acostumados a ler, a se proporem desafios diferentes”, recomendou.

Entre ouras dicas para os jovens, Davi aconselhou a platéia que obras como “Guerra dos Mundos”, “Diário da Princesa” e “Harry Potter” são ótimas opções para os jovens. “O importante é experimentar e ler aquilo que se gosta”, afirmou. Sugeriu, ainda, autores de literatura infanto-juvenil como Marcelo Carneiro da Cunha, Caio Riter e Luis Dill.

Sobre a obra Mão Dupla
Após um infeliz acontecimento, o jovem Tiago tem sua vida transformada. Ao ver-se diante - ou no centro - de tantas transformações, precisa buscar uma forma de entender o que a vida lhe tirou. Precisa encarar o dia-a-dia de um jeito diferente. Novo olhar sobre o já vivido? Ao buscar(-se), encontra novos caminhos e uma surpresa boa: há muitas possibilidades de ser, de viver, de se relacionar com os outros e de olhar para si mesmo.

Numa narrativa rápida, o autor revela toda a angústia de um adolescente que precisa encarar a vida à bordo de um corpo diferente, corpo no qual falta um pedaço. Esse, o “grilo”: em plena adolescência, fase de inseguranças e dúvidas, Tiago precisa enfrentar, ainda, o medo de não ser aceito e de não conseguir encontrar seu lugar no mundo.


Fonte: Divulgação/ Feira do livro

Click da Feira de POA

Registro fotográfico I - Na Sala dos autores/ Espaço AEILIJ

Entre uma e outra atividade dos inúmeros escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil que percorrem a Área Infantil do Cais do Porto, sempre há tempo para uma boa conversa, um oi apressado, e claro, tempo para uma foto e sorrisos de traços e letrinhas.

Dodô Azevedo, Eliana Martins e Hermes Bernardi Jr.

Fabrício, Adriana, Dodô e Eliana

Hermes, Elaine Maritza (Artes & Ofícios) e Eliana

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Prêmio Açorianos de Literatura



A Secretaria Municipal da Cultura divulga os finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura - 15ª edição – nas oito categorias literárias. A partir de agora a comissão julgadora escolherá o vencedor em cada categoria, além do livro do ano, dos destaques em mídia radiofônica, digital e impressa, e projeto de incentivo, promoção e divulgação da literatura, bem como das categorias não literárias. O resultado será divulgado na Noite do Livro marcada para o dia 15 de dezembro.

Nas categorias de literatura para crianças, os indicados são:

Categoria LITERATURA INFANTIL
Título: Brincriar, Dilan Camargo, editora Projeto.
Título: O Circo Mágico, Alexandre Brito, editora Projeto.
Título: Sai Pra Lá!, Ana Terra, editora Larousse Júnior.

Categoria LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Título: Diogo e Diana em: Meu vizinho tem um Rottweiler (e jura que ele é manso...), Tabajara Ruas e Nei Duclós, editora Galera Record.
Título: Olhos Vendados, Luís Dill, editora DCL (Difusão Cultural do Livro).
Título: Uma colcha muito curta, Sérgio Capparelli, editora L&PM.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Abertura oficial conta com criticas à falta de apoio


Ocorreu na noite desta sexta-feira, no Teatro Sancho Pança, no Cais do Porto, a abertura oficial da 54ª Edição da Feira do Livro. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades e personalidades do mundo dos livros. “Tenho muita alegria em abrir esta edição da Feira, que acontece graças aos apoiadores e a todos que ajudam a carregar o piano”, declarou o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, João Carneiro. Ele lembrou do desafio em colocar em prática a Feira, apesar da escassez de recursos para o apoio. Carneiro citou também Pernambuco, o Estado homenageado, que contou com a presença do escritor e secretário estadual da Cultura, Ariano Suassuna, e Colômbia, o País destaque. O patrono da 53ª edição da Feira, Antônio Hohlfeldt, se disse honrado em transmitir o título ao escritor Charles Kiefer. “Fui um dos primeiros críticos de Kiefer, e muito me honra transmitir (o cargo de patrono) a ele, que se tornou um grande escritor”.
Hohlfeldt fez duras críticas ao governo do Estado e à Prefeitura pela falta de recursos para o evento, deixando claro que a Feira “não precisa de esmolas”. “Proponho que a Feira do Livro, que tem mais idade do que qualquer membro de qualquer conselho, seja incluída em definitivo no calendário do Estado e da Prefeitura”, protestou. Kiefer lembrou de sua primeira experiência em uma feira de livro, há quase meio século, no qual recebeu de presente dinheiro para comprar três obras, e, desde então, se apaixonou pelo universo da literatura. “Sou exacerbado por este mundo de escritores e poetas, e sonhei com um mundo pessoas que amam os livros e as ruas cheias de livrarias”, afirmou.
O secretário de Estado Cultura de Pernambuco, Ariano Suassuna, em seu discurso, insistiu para que o Rio Grande do Sul seja o Estado homenageado na Bienal do Livro no Estado nordestino, em 2009. A governadora e o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro receberam das mãos de um dos organizadores da Bienal, Rogério Robalinho, o convite oficial para a participação gaúcha. Yeda confirmou: "Levaremos uma caravana para o Recife".

Assessoria de Imprensa da Feira do Livro
KCS Projetos em Comunicação

domingo, 2 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

Vice-versa de novembro

Neste Vice-versa de novembro, a escritora Helô Bacichette e o escritor e ilustrador Celso Sisto jogam as palavras dentro, porque não jogam palavras fora.

Celso pergunta. Helô responde.

Celso - Qual é a sua necessidade de ser escritora?

Helô - Escrevo porque sou apaixonada pelas palavras e me sinto feliz quando consigo dar beleza à elas. Escrevo para melhorar meu olhar para o mundo. Escrever faz parte de mim. Escrevo, porque escrever é uma forma de estar sempre em movimento, me desafiando e me surpreendendo. Escrever me estimula a ler e a duvidar sempre. É isso: preciso do escrever, porque preciso do seu reverso que é a magia do ler. Amo os livros! Tem vezes que escrevo para me encontrar e para poder encontrar o outro; outras, porque me transbordo de entusiasmo pela vida e preciso palavrear minhas emoções em verso ou em prosa.

C- Escrever é uma decorrência do contar histórias (oralmente), na sua vida? Como essas coisas se influenciam?

H - Minhas experiências como contadora de histórias me ajudam a inventar em mim algo novo como escritora.Quando era criança escrevia na minha cabeça, inventava personagens que brincavam com outros personagens das histórias que lia ou das histórias que me contavam. Criava diálogos com animais, seres imaginários e extra-terrestres que faziam parte do enredo de minhas histórias de cabeça: Sei uma história. Só que é de cabeça. Querem escutar?- perguntava para as outras crianças. Outras vezes estava metida em alguma apresentação de teatro, participando da bandinha da escola ou cantando no clube.Era uma inventadora de moda, como dizia minha mãe. Demorou um pouco, mas um dia entendi que meu jeito de fazer arte tinha a ver com a palavra.Contando histórias consigo resgatar elos com minha natureza poética e com minha contadora ancestral. Preciso contar para continuar escrevendo, porque eu sou uma história e se sou uma história consigo narrar a mim mesma e as outras histórias.

C - Eu percebo que o seu texto tem uma grande carga lírica. Você busca mesmo isso em todos os seus textos? Por quê?

H - Quando escrevo tento recriar o mundo que está dentro de mim a partir do mundo que está aí fora. Busco re(in)ventar motivada por uma espécie de transbordamento de sentimentos, emoções e reflexões. Acho que minhas emoções são tão intensas que para me integrar preciso me desintegrar dentro de mim. É é mais ou menos desse jeito que, muitas vezes, vejo ,meu texto: um lugar onde posso encontrar-me com esse outro (re) integrado. Na verdade, a vida me espanta, me inquieta e, em muitos momentos, me angustio diante da precariedade da existência... por isso, quando escrevo, ponho vida e poesia no texto, porque para mim não existe separação entre a poesia e a vida.

C - Você tem escritores modelos? Quem são eles? Diga-nos o quê deles influencia ou aparece em sua obra.

H - Leio muita poesia, desde sempre! Li muito Casimiro de Abreu e Olavo Bilac. A obra de Cecília aparece em primeiro lugar na relação dos preferidos. Gosto muito dos poemas do Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira e Mario Quintana. Aprendi muito lendo Elias José, Roseana Murray e Bartolomeu Campos de Queirós. Abro um parênteses, para falar da obra de Elias José,porque foi ela que ( ou ele) quem mais influenciou meu trabalho com literatura infanto-juvenil.O primeiro poema deste maravilhoso ( e inesquecível) poeta que conheci foi “O segredo”. Na verdade “ouvi” o poema na voz de um conhecido locutor de rádio aqui de Caxias. Minha emoção foi tão grande que nunca mais parei de ler seus poemas. “O segredo” que ouvi foi a revelação de que a boa poesia não tem idade e fala para todos: pequenos, médios ou grandes. O segredo fala da magia da invenção. Elias era um poeta que gostava do som das palavras, do seu gosto, cheiro ou cor. Ele conversava sorrindo. E, muito mais do que só falar, Elias fazia e vivia.Era um menino-poeta. Um criador de sonhos e fantasia: “Eu sei fazer poesia escrevendo, jogando e brincando com as palavras.”- dizia.Aprendi com ele que o simples é o belo. A obra de Elias revela os sentimentos humanos. E, através de arranjos de sons, ritmos e imagens, a poesia de Elias nos leva a percorrer caminhos mágicos e (como requer algo que tem vida) repleto de energia. Um dos seus compromissos com a literatura sempre foi o de garantir o espaço para a boa poesia na escola. Certamente ele conseguiu manter-se fiel a sua causa quando deixa um legado para a Literatura Brasileira com obras que garantem a emoção que o texto poético pode suscitar, textos que encantaram e continuarão encantando leitores de todas as idades.

C - Como você lida com o público leitor e com a crítica? Afinal, o que você considera sucesso nesta relação com público e crítica? O que você tem aprendido com isso, para o seu ofício de escrever?

H - Eu gosto muito de estar com as pessoas, mas também preciso cuidar da minha solidão. Houve um tempo, porém, quando não conseguia encontrar minha criança no espelho ou me encontrar na minha solidão. Na verdade, me pre (ocupava) demais com o que vinha de fora ( e, muitas vezes, por fora) do meu trabalho. Assim, permitia que muitas coisas interferissem no meu processo criativo. Mas, com o passar dos anos, aprendi que o importante é acreditar no que faço, porque o que faço tem a força de minha paixão pelo que escolhi fazer. Quando escrevo entrego o que melhor tenho de mim e, por isso, sei do valor do meu trabalho. Gosto de lembrar das palavras de Paulo Freire: “ A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Quando escrevo tento ler o que está ao meu redor e o que está dentro de mim para (re) inventar depois. Escrevo pensando nos meus leitores, tentando ficar ao lado deles. Respeito a opinião das pessoas e, hoje, não encontro dificuldades em ouvir o que elas tem dizer sobre meu trabalho. Penso que a crítica é um exercício intelectual e o que quase sempre acontece é um diálogo de duas histórias: a do autor e a do crítico. Portanto, duas subjetividades. Por isso, é necessário levar em conta que, muitas vezes, existe uma “disputa” que sofre interferências, porque nela estão envolvidos seres humanos, com emoções diferentes e cada qual com sua visão de mundo. Tenho um compromisso com a arte da palavra e procuro descobrir validade do meu trabalho para meus leitores. E é com eles com quem quero aprender a escrever mais e melhor.

Helô pergunta. Celso responde.

Helô - Como funciona teu processo de invenção de histórias? De onde vem o material de teus textos? De experiências vividas, da realidade ou da imaginação?

Celso - Eu gostaria de escrever todos dos dias. Acho que um escritor profissional tem que ter uma rotina, uma dinâmica de trabalho que o “obrigue” (entre aspas mesmo!) a produzir todos os dias. Mas como eu faço mil coisas ao mesmo tempo, uma coisa acaba alimentando a outra. Por exemplo, se eu estou lendo um texto teórico para uma disciplina do Doutorado, aí lá pelas tantas o sujeito fala: “ a narrativa contemporânea multiplicou a existência do narrador" e aquilo acende uma luzinha lá no meu escondido, eu paro tudo que estou fazendo, anoto, rascunho, faço uma sinopse, para a idéia não se perder. Adoro essa coisa que começa de forma artesanal. Eu vivo cercado de cadernos! Adoro! Tento não deixar escapar nenhuma idéia. Até um nome curioso que eu ouço, quando vou conversar com alunos numa escola, até nome engraçado de cidade que vejo numa placa, quando estou viajando. Anoto tudo que vá me servir de material. Mas o que mais me dá “gancho” para escrever os meus textos são exatamente os textos bons, de outros escritores, de gente que eu admiro. Quando acabo de ler um livro maravilhoso, sempre me sinto preparado para escrever uma história igualmente maravilhosa! A poesia me inspira muito! Quer dizer, fornece lenha para a minha fogueira e para a minha lareira (a que me queima e a que me aquece e alimenta!). Gosto, sobretudo, do jogo das imagens que a palavra pode expressar e provocar. É claro que as experiências vividas também entram nas minhas histórias, mas quase sempre como detalhes, como pano de fundo, num nome de personagem (que pode ser o nome de um primo, que possui aquelas características do personagem em questão), pode ser um fato acontecido comigo ou ao meu redor, mas claro, tudo vem acrescido ou modificado pelo exercício da fantasia. É o fato transfigurado, é o sentimento transfigurado, e ali, ele não é mais da minha realidade, é da história! A imaginação é o grande caminho! É onde somos mais livres! Quem pode cercear nossa imaginação? Acho que a grande chave do mundo é a criatividade. Fazer as coisas de uma forma única, especial. Eu busco isso. Não sei se sempre encontro, mas tento ardorosamente!

H - És considerado um dos mais importantes contadores de história do Brasil, com uma trajetória de muitos anos dedicados a pesquisa e a arte de contar histórias. Conta para nós como tudo começou, qual a vinculação e qual a importância que tem a contação de histórias para tua produção literária?

C - Puxa, esse seu comentário me dá um medo danado! Eu quero fazer coisas de qualidade, eu me preocupo com isso. Sou extremamente exigente com o meu trabalho. Mas a qualidade está ligada ao estudo, à prática, ao exercício, ao fazer, refazer, fazer muitas vezes. Nada cai do céu, pelo menos pra mim. Eu tenho que me dedicar muito, ler muito, ler sempre! Cada vez mais e melhor! Acredito que quanto mais a gente lê e estuda, melhor a gente consegue penetrar nas lacunas, nas dobras, nas camadas de um texto! Também acredito que o grande segredo é não ter pressa... Mas tudo começou com o teatro. Eu sou oriundo do teatro, me formei primeiro em Artes Cênicas, trabalhei alguns anos como ator profissional e só então, quando fui fazer uma Especialização em Literatura Infantil e Juvenil é que descobri a arte de contar histórias, assim, do jeito que a gente entende ela hoje! Então, fui trabalhar na FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e lá criamos o grupo Morandubetá (muitas histórias em tupi-guarani) e estamos juntos até hoje, eu, a Lúcia Fidalgo e a Eliana Yunes, um pouquinho depois a Benita Prieto entrou no grupo. Bom, então, esses anos todos (estamos juntos há quase 20 anos!) contando histórias oralmente e lendo enlouquecidamente, fui me alimentando de tudo isso! Acho até que meus primeiros textos são muito “fundados” nas histórias que eu contava lá no começo deste trabalho de contador de histórias. Essa oralidade está presente no meu texto escrito, o ritmo das minhas histórias nascem da oralidade. Eu leio tudo em voz alta, quando estou escrevendo. Pra mim é a melhor maneira pra perceber o que está “empolado”, o que está sobrando, o que está faltando... Sou um escritor de ouvido!

H - Que lugar dirias que a literatura infantil ocupa dentro da literatura brasileira? Na tua opinião, existe preconceito em relação ao conto infantil?

C - O melhor de tudo é que não houvesse essa divisão imposta pelo adjetivo “infantil”. Deveríamos estar falando simplesmente de literatura, e pronto! Ou o texto é literatura ou não é! Esses qualificativos muitas vezes me parecem redundantes! Eu prefiro dizer sempre que existe literatura e livros para crianças! E que nem todo livro para criança é literatura! Essa afirmação parece tão clara! Mas não é! Tem gente que lida todo dia com esses textos e esse público tão específico e continua chamando de literatura os livros que não estão nem um pouco preocupados com o trabalho com a linguagem, com o público leitor, com a “beleza” do escrito... Literatura para crianças não pode estar preocupada em passar ensinamentos, em transmitir mensagens, em contar uma história bonitinha! Tudo isso é alheio à literatura e é pouco. Literatura é muito mais! A literatura não está dissociada da forma, do elemento estético que vai atribuir-lhe um diferencial... Não basta ter boas idéias, não basta “achar” que enchendo a história de uma aura de fantasia e poesia é suficiente para ser obra destinada a esse público. É preciso encontrar o tom certo de dizer “aquilo”; é preciso encontrar a forma certa; abordar o tema de um jeito diferente, especial; é preciso fazer todo o “material” virar arte. É nesse território estético que reside toda a diferença. Temos uma literatura infantil no Brasil de alto nível. O segmento literário que mais vende é o da literatura infantil, embora isso não apareça nas listas dos mais vendidos... Mas uma coisa é fundamental para quem escreve para essa área: é preciso conhecer os clássicos, estar atento à produção contemporânea, ler os seus pares, conhecer as listas de prêmios, e, inclusive, buscar as pesquisas acadêmicas sobre literatura infantil – tudo o que puder contribuir para a melhor qualificação profissional. Preconceito existe sim, em vários níveis! O pior deles é o que vem da própria classe literária, que muitas vezes perde de vista a especificidade desta literatura infantil e deste leitor criança! Inclusive, a pouca ou quase nenhum espaço para a crítica de literatura infantil, na mídia, revela isso. Precisamos de crítica séria, especializada, profunda, e não “crítica-propaganda”, dessas que são puro release das editoras para promover os livros!

H - Tua obra conta com mais de trinta livros publicados, muitos deles premiados.Te sentes reconhecido pelos teus pares (pelos grandes) e pela crítica?

C - O maior reconhecimento é sempre o do leitor, das crianças e dos jovens, afinal, eles são o meu público, é com eles que quero me comunicar preferencialmente. Não escrevo pensando em prêmios, em reconhecimentos extra-literários”, etc., escrevo para ser lido pelas crianças e pelos jovens. Mas é sempre bom trocar com as pessoas que estão na mesma área, ter o carinho dos nossos amigos escritores ou dos escritores que a gente admira, etc., não para alimentar vaidades, mas para servir de estímulo, de “força”, de incentivo! Quando um livro nosso é premiado, claro que a gente fica feliz! Mas isso tudo é importante na medida que sela o nosso compromisso com o fazer e com a qualidade! Um prêmio, um “sucesso”, sempre obrigam a gente a fazer igual ou melhor! E isso é muito bom! O compromisso com a qualidade leva a buscas mais profundas, mais comprometidas com o alargamento dos estudos, das leituras, das pesquisas! Quanto à crítica, continuo sempre defendendo maior espaço para a crítica especializada, seja em que veículo for! O espaço dedicado à crítica de literatura infantil é ínfimo na mídia!!!! Quase inexistente!

H - Como tem sido a experiência de ser escritor e ilustrador de livros infanto-juvenis?

C - Eu sempre me vi mais como escritor! Ilustrar é muito bom! Poder brincar com as imagens, experimentar guiar a leitura e dialogar com o texto! Nossa, isso é um prazer enorme! Mas eu sou antes de tudo, um escritor! Ilustro pouco, e tenho ilustrado só alguns dos meus livros . Nunca tive coragem de ilustrar livros de outras pessoas, acho uma responsabilidade muito grande! Pra mim, o que nasceu de um desafio, acabou gerando uma busca de qualificação sempre maior. Explico: o primeiro livro que ilustrei nasceu de uma provocação... Um editor me disse: “hoje em dia um monte de ilustradores viram escritores, mas o contrário é muito difícil, quase impossível! Por que você não tenta quebrar a lógica disso?”. Fiquei com esse desafio na cabeça. Eu tinha estudado pintura uma boa parte da minha vida (não profissionalmente, que dizer, não como uma busca profissional ou acadêmica!), gostava muito, tinha esse desejo de querer experimentar no papel. Quando as ilustrações do meu livro “Francisco Gabiroba Tabajara Tupã” (que estavam sendo feitas por outra pessoa) não foram aprovadas nem por mim, nem pelo editor, senti que era hora de tentar. Pedi ao editor que me deixasse fazer umas “pranchas” para ver se ele aprovava! Fiz, ele aprovou, o livro ficou entre os 10 finalistas do prêmio Jabuti, na categoria de ilustração de livro infantil de 1999, e eu ganhei o prêmio de ilustrador revelação naquele ano, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Isso foi um incentivo e tanto! Adoro desenhar! Adoro ilustrar, mas gosto mesmo é de inventar, fugir da imagem real, fotográfica, experimentar texturas, materiais, cores. O colorido me atrai muito!

H - Percebe-se na tua obra uma forte presença do folclore. Isso vem de tuas viagens, de pesquisas como “Cavaleiro andante”?

C - Eu sou um irrequieto! Não paro! Sou mesmo um “cavaleiro andante”. E a cultura popular é fonte inesgotável para o meu trabalho. Tenho uma admiração exorbitante por tudo o que está relacionado com a cultura popular: as cantigas, os folguedos, as trovas, as poesias populares, brincadeiras, costumes, contos populares, personagens populares, ditados populares, lendas, mitos, fábulas, parlendas, etc. Isso alimenta o meu trabalho! Adoro os escritores que trabalham nesta vertente, que pesquisam seriamente essas questões. Isso vem de várias fontes sim: das viagens, do convívio com pessoas, das leituras, das pesquisas, do prazer que o imaginário popular provoca em mim! Ainda pretendo estudar essas questões cada vez mais a fundo! Já fiz isso, como Mestrado, estudando os contos populares que a escritora Ângela Lago recontou, e agora estou fazendo uma grande pesquisa, no Doutorado, sobre os contos populares africanos na literatura infantil brasileira. Tem tanta coisa que ainda quero estudar nesta área! Por isso que digo sempre que preciso viver uns 5oo anos! Tenho muito que aprender, para poder chegar cada vez mais perto do coração das pessoas!